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16/02/2018
Retomada de 2018

Mineradoras esperam apoio do governo, do meio ambiente, das comunidades e dos investidores, mas não mudam os paradigmas do processo

Brasil se prepara para retornar às suas atividades econômicas depois do Carnaval, como é de praxe. Executivos de férias e a necessária avaliação dos balanços anuais (ou do 4T de 2017), somado a outros aspectos, fazem com que as grandes decisões do ano sejam tomadas apenas a partir de agora, depois do carnaval.

A mineração brasileira deverá agir em varias frentes:

No lado político, a gestão do Ministério provisório e a nova legislação geram algumas incertezas e queda de braços.

No lado dos investidores, a chegada da China com grande apetite por mineração e infraestrutura sinaliza um caminho interessante a percorrer.

Procuradorias e órgãos ambientais cedem lentamente aos desejos das mineradoras.

Mas, no que depender das próprias mineradoras, estas ficam devendo muito. Perante as dificuldades próprias do setor, como a queda dos teores nas jazidas, redução e disseminação das reservas, maior custo da energia, falta de água e as consequências ambientais (como o caso Samarco), assim como os riscos potenciais que surgem de outras mineradoras que seguem a mesma rota da Samarco (mói tudo e flota tudo), se observa que, embora haja exceções, muitas mineradoras brasileiras ainda apelam para cobrar mais tolerância do meio ambiente e das comunidades e cobrar flexibilidade do bolso dos investidores, mas sem mexer nos paradigmas que norteiam os processos de beneficiamento mineral, há muito tempo.

O mesmo ocorre no Chile, onde a retomada está enfatizada também pela recente mudança de governo (Piñera, de linha mais neoliberal que Bachellet). O papel da Codelco, a sua forma de governança e os critérios de apoio aos investimentos em geral poderão mudar, mas, lamentavelmente, o Chile ainda aposta na flexibilidade do bolso do governo, do meio ambiente, dos investidores e, pelo que se percebe ao observar os novos investimentos, estes principalmente são feitos para extrair, moer e flotar mais ganga, praticamente mantendo a produção final de Cobre. Por conta disso, Chile perdeu poder de mercado, passando de 34% da produção mundial de Cobre, que ostentava em 2009, para apenas 26,8% em 2017.

Projetos tradicionais em quase todo o mundo foram desenvolvidos muitos anos atrás, com determinadas premissas e critérios de projeto que hoje não são os mesmos. É urgente voltar a caracterizar o minério e adaptar as usinas para a nova realidade, principalmente em termos de teor e compacidade. Isso pode ser feito com técnicas de Concentração Seletiva. Se uma usina continuar operando do mesmo modo que foi implantada ao longo dos anos ocorrerá o que vemos hoje, a moagem desnecessária de ganga, o aumento na geração de rejeitos dirigidos para a barragem, e a geração de concentrados ultrafinos com dificuldades para filtrar.

A sociedade espera mais dos profissionais da área mineral.

Alexis Yovanovic

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